BREVES REFLEXÕES SOBRE A CRIANÇA BRASILEIRA

Fernando José de Nóbrega

A situação atual que vive a sociedade brasileira, com necessidades cada vez mais sofisticadas, prevalecendo, na maioria das vezes, lugares de destaque para aqueles mais inteligentes e melhor preparados. Esta situação traz como conseqüência, a idéia errônea que as crianças devem ser preparadas “desde o berçário” para ocupar postos importantes na comunidade em que vivem. Assim se explica o grande de volume de “crianças empresárias”, com o dia todo tomado por diversos “compromissos” nenhum deles ligado ao verbo em desuso: garotar. Como podem fazer para desfrutar dos momentos saudáveis da meninice, pular corda, “soltar cafifa”, brincar de “comadre”, jogar bola de gude ou botão, brincar de roda. Penso que está sendo surrupiada de forma violenta e ditatorial, a fase mais maravilhosa da vida...

As repercussões negativas desta orientação não se exteriorizam apenas nesta fase da vida, mas também, na adolescência e na fase de adulto, não só em função da grande frustração que, certamente ocorrerá, quando os objetivos não forem alcançados. Como estas crianças de hoje se portarão com seus futuros filhos? Certamente não terão a compreensão, paciência, espírito crítico adequados para orientar suas vidinhas. Estaremos criando uma nova cultura, altamente deletéria para as nossas criancinhas?

Bem, este é um retrato, um tanto caricatural, do que acontece com nossas crianças, de condição sócio – econômica adequada.

Agora, feito diagnóstico, devemos proceder à terapêutica.

O que fazer?

É muito simples, para quem escreve, dizer que é importante ter bom senso para saber equilibrar as atividades, não prescindindo da formação da criança - sabemos como é importante formar um adulto competente - mas também é vital a participação da criança em jogos e brincadeiras.

Como já apresentado, trata-se de tarefa extremamente difícil a modificação da estrutura de orientação destas crianças.

Cabe a nós, pediatras, professores, formadores de opinião e a sociedade, a grande responsabilidade de participação, de forma eficiente, para a melhoria desta situação, buscando o equilíbrio fundamental.

AMIGOS DAS CRIANÇAS, UNI-VOS!

Quero ainda abordar um aspecto ainda mais grave, ou seja, da criança pobre e da miserável. Ainda vivemos no Brasil grave situação de injustiça social, com grande número de famílias pobres e miseráveis com conseqüente baixíssima qualidade de vida. Por isto ao constatar a queda da mortalidade infantil e da desnutrição, sempre pergunto: “ e como está a qualidade de vida?”. Estamos de alguma forma trabalhando no sentido de evitar que nossas crianças e adolescentes troquem a família, a escola e hábitos saudáveis pela atuação na criminalidade com atuação em diferentes pontos, mas com destaque no campo do tráfico de drogas? Esta é uma situação difícil porque, a maioria destas famílias são desagregadas com comprometimento, também, de alguns dos seus membros. Com relação à escola, o que se vê é um grande número de abandonos, com conseqüente comprometimento da formação dessas crianças e adolescentes. Assim a entrada na criminalidade é a solução para estes indivíduos, porque oferece situação melhor do que eles têm em casa.

O que temos feito, para evitar tal situação? O que temos feito para diminuir a distância entre o bom e o mau. Infelizmente constato que por parte da sociedade, “com raras honrosas exceções só vejo discursos. O que temos feito nós pediatras e profissionais da saúde? Aqui também “com raras e honrosas exceções”, só discursos e não se pode dizer algo diferente por parte dos governos que, embora tenham tentado algo, ainda muitíssimo resta a fazer.

Poderíamos aproveitar o início de um novo governo e a par dos esforços para reduzir a fome, se conscientize os governos, a sociedade e todos os profissionais da saúde para a grande importância, da melhoria da qualidade de vida para afastar nossas crianças e adolescentes do caminho do mau.

AMIGO DAS CRIANÇAS, UNI-VOS.

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