Pediatras lançam filme para chamar atenção para a violência que está dentro de casa



SBP lança filme para chamar atenção para a violência que está dentro de casa

Thiago Lacerda é o padrinho desta Campanha

“Criança jogada no lixo”. A frase, inserida no desenho de S., sintetiza o máximo da negligência: o abandono. “Se você contar pra alguém eu te mato. Juro que não conto pai”, diz o diálogo entre o homem e a menina, ao lado da cama, no cartaz de C. Estes são alguns dos desenhos feitos por crianças e adolescentes da Vila Olímpica da Mangueira, convidados pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) a expressarem como percebem a violência, principalmente a doméstica. O tema foi escolhido para o filme de divulgação da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes e Violência na Infância e Adolescência, por sua grande repercussão na potencialização da violência social como um todo.

O filme, que começa a ser veiculado na televisão, foi lançado em 27 de julho, Dia do Pediatra, durante o Encontro de Pediatras com os Promotores da Paz da Vila Olímpica da Mangueira – evento que reuniu médicos de crianças e adolescentes e cerca de 100 meninos e meninas dos Grupos de Ginástica Rítmica Desportiva (GRD), do Balé Dançando Para não Dançar, do Futebol e do Basquete. Além da exposição dos desenhos e frases, e do lançamento do filme, houve apresentação de dança, a participação do ator Hélder Agostini, de 12 anos, o “FM” da novela Malhação, e a entrega dos Certificados de participação no Promotores da Paz – movimento proposto pela SBP às crianças e adolescentes que desejam participar da Campanha, contribuindo com suas idéias, desenhos e frases sobre a violência, os acidentes e como preveni-los.

As chamadas “causas externas”, ou seja, a violência e os acidentes, constituem um dos fatores mais importantes da mortalidade geral no Brasil e, segundo números do Ministério da Saúde de 1999, na faixa etária que vai de cinco a 19 anos, ocupam o primeiro lugar (59%). Dentre estas, chamam atenção as “agressões”, que com 7.162 casos registrados naquele ano, representam 40% do total. “Se pensarmos que estes números são apenas a ponta do iceberg, teremos a dimensão da gravidade do problema”, diz dr. Lincoln Freire, presidente da SBP. A coordenadora executiva da Campanha, dra. Rachel Niskier Sanchez, explica: “Quando falamos de violência doméstica, precisamos ter claro que – embora as conseqüências sejam registradas a curto, médio e longo prazos, com graves repercussões sobre a saúde física e mental – nem sempre o resultado imediato é a morte. E muitas vezes o caso não chega ao sistema de saúde, às instâncias jurídicas ou Conselhos Tutelares. Além do mais, mesmo quando leva a óbito, a violência doméstica costuma não ser explicitada nas estatísticas. Asfixias, afogamentos, Síndrome do Bebê Sacudido (que provoca hemorragia cerebral pelo impacto do cérebro contra a caixa craniana) podem ser registradas como ‘acidentes’, sem especificação das circunstâncias em que ocorreram”, diz.

Dra. Rachel salienta ainda que, independente de classe social ou condição econômica, há uma grande probabilidade de que as crianças e adolescentes que cometem delitos tenham sofrido algum tipo de violência doméstica, como a negligência, os maus-tratos físicos e psicológicos ou o abuso sexual. “A mesma correlação pode ser feita para aqueles que vão para as ruas, fugindo de violência cometida por seus familiares ou responsáveis, e pensando encontrar fora o apoio e o afeto que não têm no ambiente de casa”, comenta.

Informações sobre o filme

>> Assista ao filme da campanha contra a violência infantil

O filme da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes e Violência na Infância e Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) foi elaborado a partir dos desenhos de crianças e adolescentes que participam do projeto da Vila Olímpica da Mangueira – escolhido pelo trabalho que é realizado com a comunidade, reconhecido mundialmente como exemplo de construção de cidadania (Prêmio Unicef 1998 de “Melhor Programa Social de Países em Desenvolvimento). A fita, de 27 segundos – destinada à divulgação na televisão – tem narração do padrinho da Campanha, o ator Thiago Lacerda, foi dirigida por Luiz Leitão e produzida pela CaradeCão Filmes. O projeto contou ainda com trilha sonora do Estúdio Chorus e o apoio da Universo Paralelo para a gravação do off. Todos cederam voluntariamente seu tempo e trabalho. “A violência pode ser prevenida. Procure ajuda”, diz o texto do filme.

Um dos objetivos do filme é ampliar o conceito de que a violência – principalmente a doméstica – pode ser prevenida, e as pessoas envolvidas ou próximas devem pedir ajuda. Para isto, podem recorrer às escolas, serviços de saúde, Conselhos Tutelares, Juizados da Infância e da Juventude, Delegacias em geral, Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente, Delegacias de Proteção à Mulher, entidades médicas e científicas, ONGs, entre outras. “Pois embora a questão seja bastante complexa, com raízes estruturais – como a própria sociedade patriarcal e as desigualdades sociais – e agravantes, como as drogas, entre elas as chamadas lícitas, como o álcool e o tabaco, a alternativa a esta situação lamentável é a cidadania plena, a garantia de direitos, de escolaridade”, diz dr. Lincoln Freire. Dra. Rachel Niskier acrescenta: “o objetivo não é culpabilizar as famílias. Antes disto, as enxergamos como necessitadas de atenção. Quando a violência ocorre numa família, todos os seus membros precisam de atenção”.

Os Conselhos Tutelares (CTs) começaram a ser implantados em 1995, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei federal que acaba de completar 12 anos. Os Conselhos são órgãos de proteção e atendimento a crianças e adolescentes, tendo como atribuição também “atender e aconselhar os pais ou responsáveis”. São formados por cinco membros eleitos pela comunidade. O ECA prevê pelo menos um Conselho Tutelar em cada município brasileiro. Segundo os últimos dados do Controle de Implantação do SIPIA (Sistema de Informação de Proteção da Infância e Adolescência/ em implantação), existem hoje 2.982 CTs.

Os Números

1. Causas externas


Mortalidade de Crianças e Adolescentes no Brasil - 1999
Óbitos por Causas Externas – CID 10 – BR – faixa Etária: 5 a 19 anos

Causa CID 10 – Capítulo XX (causas externas)

Total de óbitos de 5-19 anos

Freq. %

Total de Causas Externas

18.215

100

109. Agressões

7.162

40

103. Acidentes de transportes

4766

26

112. Todas as outras causas externas

1748

9,5

105. Afogamento e submersões acidentais

2074

11

110. Eventos (fatos) cuja intenção é indeterminada

1338

7

108. Lesões autoprovocadas voluntariamente

633

3,5

104. Quedas

318

1,7

106. Exposição à fumaça, fogo e chamas

135

0,7

107. Envenenamentos/ Intoxicações

35

0,1

111. Intervenções legais - operações

10

0,05

Fonte: Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) / CENEPI / MS – 1999.

Mortalidade de Crianças e Adolescentes no Brasil - 1999
Óbitos por Causas Externas – CID 10 – BR – Faixa Etária: 1 a 4 anos

Causa CID 10 – Capítulo XX (causas externas)

Total de óbitos de 1 - 4 anos

Freq. %

Total de Causas Externas

2.094

100

103. Acidentes de transportes

608

29

105. Afogamentos e submersões acidentais

522

25

112. Todas as outras causas externas

434

21

110. Eventos (fatos) cuja intenção é indeterminada

160

7,6

106. Exposição à fumaça, ao fogo e às chamas

127

6

108. Lesões autoprovocadas voluntariamente

633

3,5

104. Quedas

104

4,9

109. Agressões

102

4,8

107. Envenenamentos/ Intoxicações

36

1,7

108. Lesões autoprovocadas voluntariamente

1

0,04

Fonte: Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) / CENEPI / MS – 1999.

2. Todas as Causas de Mortalidade

(Veja gráfico)

3. Dados da Assessoria de Prevenção de Acidentes e Violência da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro:

Período: agosto/99 a setembro/01 – Total de fichas*: 1427

Por tipo de maus-tratos:

a. Negligência – 1292 / 53,2%
b. Agressão Física – 877 / 36,1%
c. Abuso Psicológico – 580 / 23,9%
d. Abuso sexual – 487 / 20,1%

(* São as fichas de Notificação Compulsória de Maus-Tratos contra crianças e adolescentes.)

4. Dados do Sistema Nacional de Combate à Exploração Sexual Infanto-Juvenil, que recebe denúncias pelo telefone (ligação gratuita) 0800- 99 0500:

- Janeiro a Dezembro de 2001: 749 casos no Brasil e 149 no Rio de Janeiro (São denúncias de abuso e exploração sexual. Inclui que as pessoas vêem na Internet).

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